Sociedade J. M. Barrie

Por Jaci Pandora


Sociedade J. M. Barrie começou a me encantar pelo titulo, uma referência ao clássico infantil "Peter Pan"; cativou pela capa, um deleite para os olhos esse mergulho em águas profundas; e me arrebatou pela forma como a autora, Barbara J. Zitmer, conta sua história.

Nele nós conhecemos a história de como Joey, uma arquiteta de Nova York em busca de reconhecimento profissional, com uma vida afetiva um tanto vazia que obtém uma oportunidade de ascender na empresa na qual trabalha reformando Stanway House, a casa na qual J. M. Barrie teria escrito Peter Pan. Para tanto a arquiteta precisa sair de seu lugar de conforto e ir para a Inglaterra encarar um novo cenário, conhecer novas pessoas, reencontrar uma antiga amiga e viver uma experiencia transformadora.

O livro todo tem uma escrita cadenciada e paciente, é como se a autora tivesse toda a história em sua cabeça bem antes de se por a escrever e não tem pressa de chegar ao desfecho da história. Ela constrói com muita calma seus personagens e as situações nas quais eles se metem. Li o livro da Zitmer durante as minhas viagens diárias para a cidade vizinha na qual trabalho e invariavelmente me senti transportada para a vida da Joey e para os cenários nos quais sua história acontece.

A Joey é uma personagem que uma vez tirada de seu lugar de conforte percebe os espaços vazios de sua vida, o quanto se sente sozinha morando em uma cidade de milhões de habitantes e o preço de ter deixado várias amizades para trás ao longo da vida adulta. É desalentador perceber junto com ela quantas coisas a vida adulta nos leva, um desalento que também senti quando li Peter Pan.

No entanto, o livro não é um drama, muito pelo contrario. Aqui temos uma história de autodescoberta, de amadurecimento e reconexão com as coisas importantes da vida e no caso da nossa protagonista um grupo de natação formado por mulheres octogenárias  que conservam um coração jovem , elas formam a "Sociedade J. M. Barrie de Natação" e são mulheres fabulosas cuja forma de ver o mundo é tocante e transformadora.

Além das senhoras da "Sociedade J. M. Barrie..." Joey no interior da Inglaterra, esse lugar maravilhoso onde passado e presente se encontram formando um tipo de Terra do Nunca, ela encontra um amor e vive a maravilha e ansiedade da descoberta de sentimentos profundos. Apesar do romance não ser central no livro, ele é uma parte deliciosa da composição desse livro que garantiu um final de aquecer o coração.

Aqui temos um livro redondo, acolhedor, leve, com uma capa linda e final capaz de aquecer o coração. Estou escrevendo essa resenha ainda segurando no rosto o mesmo sorriso que tinha quando li o ultimo paragrafo do livro e indico fortemente a leitura.

Recebemos esse livro de cortesia em troca de uma opinião sincera. Obrigado editora:


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