O Céu de Lima, Juan Gómez Bárcena

Com uma narrativa cativante, o escritor espanhol impressiona em seu primeiro romance, publicado pela Alfaguara no Brasil.

Por Alexandre Melo, do Recife
Imagine dois jovens burgueses peruanos do inicio do século XX - que acham-se a poetas brilhantes, mas não conseguem publicar nada - que brincam de ser pobres em um sobrado num bairro de imigrantes chineses em Lima, que faltam aulas na faculdade de Direito para ir beber, e que são fissurados em um poeta espanhol chamado Ramón Jiménez. Estes são José, e Carlos, os señoritos que de repente tem a grande ideia de escrever uma carta ao poeta, e com medo de não serem respondidos, fazem-se passar por uma mulher de Miraflores, que decidem chamar de Georgina Hübner, pedindo-lhe um exemplar de seu novo livro não encontrado a venda no Peru. O poeta famoso acaba enviando o livro. Carlos e José então se empolgam e assim sucedem-se várias correspondências que acabam fazendo Ramón se apaixonar por uma mulher que não existe. Este é O Céu de Lima de Juan Gómez Bárcena.

Juan Gómez Bárcena.  foto: Isabel Wagemann


Apesar de parecer, o foco da trama acaba não sendo tanto na história do amor platônico nutrido pelo espanhol, mas sim nas peripécias e trajetória de vida dos señoritos. Conhecemos José Galvéz, filho de uma família tradicional, com antepassados nobres; e Carlos Rodríguez, filho de um novo rico do mercado da borracha, que mesmo de família abastada, é discriminado pela própria burguesia. José é frenético, gosta de tomar vantagem em tudo, transa com muitas mulheres e aproveita-se de Carlos para conseguir seu objetivo: Fazer com que o o poeta espanhol escreva um poema para Georgina., e por meio disso, que eles escrevam um romance baseado no amor de Ramón e Georgina. Carlos, por sua vez é tímido, não mostra muito interesse por mulheres, e tem uma caligrafia "feminina". É ele quem redige as cartas, no velho sobrado em que antes encontrava José para ficar na janela observando os transeuntes (e comparar cada um a personagens principais e secundários de grandes clássicos da literatura.) A coisa entretanto complica quando Carlos apega-se tanto a sua personagem que também se apaixona...

Pode-se dizer que o espanhol Juan Gómez Barcéna foi absolutamente feliz em sua primeira obra: O Céu de Lima é um livro divertido, e com uma história cativante, que prende você desde o primeiro parágrafo, com uma narrativa sem rodeios, e no seu decorrer mistura o romance escritos pelos personagens com o próprio romance que estamos lendo. Em um panorama geral, conhecemos a Lima dos anos de 1900, o cotidiano da sociedade e a paisagem do lugar. Uma curiosidade é que o poeta ídolo dos señoritos, Ramón Jiménez, realmente existiu, (inclusive recebeu o Nobel de Literatura em 1956.) e viveu a situação romantizada pelo Juan Bárcena. Que curioso, não? 

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