O primeiro YA de Cecelia Ahern: conheça Imperfeitos

Por Jaci Pandora, do Recife

Apesar de ter percebido ao longo da leitura dos três últimos livros da Cecelia Ahern publicados no Brasil o quanto a autora se posicionava criticamente em relação as hipocrisias da sociedade nunca pensei que ela fosse capaz de ir tão longe quanto ela foi em “Imperfeitos” vol. 1 da duologia Flawed.

Diferente das últimas heroínas, Celestine, a protagonista de Imperfeitos, é uma adolescente perfeitamente ajustada em uma família equilibrada e honesta. Quando sua história começa a vida dela parece um comercial de margarina, pai e mãe apaixonados e felizes, namorado lindo e amoroso, desempenho escolar nota 10. A vida de Celestine é uma bolha de felicidade em um mundo incomodo, pois a história contada em Imperfeitos se passa em algum lugar no futuro no qual a Irlanda optou por usar um sistema segregacionista para punir pessoas com desvio moral. Depois de uma grave crise financeira e politica o país montou um tribunal que julga o caráter das pessoas e tem o poder de classifica-las como IMPERFEITAS, uma vez classificada dessa forma a pessoa recebe um “I” como marca em alguma parte do corpo e passa a ser considerado um cidadão de segunda classe com menos direitos e mais deveres.


Para a adolescente Celestine que encontramos no inicio do livro todo esse esquema parece natural, funcional e justo. Vivendo sua vida de adolescente privilegiada a ela escapa os riscos que um tipo de segregação assim oferece, ela não percebe que com a desculpa de resguardar a moral e a ética da sociedade o tribunal oferece uma forma de governo ditatorial, fascista, segregacionista, desumano.

O livro é todo narrado em primeira pessoa, mas fica muito claro, mesmo na visão ingênua da nossa protagonista, o quanto é tênue a linha que separa um cidadão perfeito de um imperfeito e a qualquer momento, qualquer um pode cruzar essa linha. E, de fato, Celestine cruza essa linha, pois sua ingenuidade é temperada por uma educação conscienciosa e uma tendência a procurar a justiça, em dado momento ela não suporta presenciar uma injustiça contra um dito “Imperfeito” e sua vida muda completamente, sua bolha estoura e ela se ver tendo que enfrentar a realidade nua e crua.
Em seu primeiro Young Adult Cecelia Ahern brilhou escrevendo uma história na qual o jogo pelo poder, a força manipuladora da mídia e a brutalidade da desigualdade social são temas colocados em pauta. Apesar de dialogar muito com a trilogia “Jogos Vorazes” Ahern não foge de si mesma e constrói uma história com sua cara, ou seja, humana com personagens que para se descobrirem muitas vezes  precisam se descontruir.


É doloroso observar a bolha de felicidade de Celestine ser furada e vê-la mergulhar em uma realidade de dor e opressão. É terrível acompanhar como ela é injustiçada e lançada em um jogo no qual ela não sabe muito bem que peça é. Mas, também é maravilhoso acompanhar o crescimento da personagem e sua coragem para falar aquilo no qual acredita.

Terminei a leitura de “Imperfeitos” quase sem folego, com lágrimas nos olhos e escrevi esse texto feliz e ansiosa pela continuação.


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