Quando tinha cinco anos eu me matei

O escritor, psicologo e palhaço Howard Buten escreveu na década de 1980 um livro interessantíssimo em que abordava o autismo na fala de um garoto bem esperto. Burt finalmente chega ao Brasil por meio da Editora Rádio Londres.

Por Alexandre Melo, do Recife

Compreender o outro tem sido um grande desafio nesses tempos intolerantes em que vivemos. De fato, poucas vezes tentamos nos imaginar no lugar do próximo para entender seus problemas ou dificuldades. Mas Howard Buten - que é escritor, psicologo especializado em autismo, e palhaço - tentou fazer isso quando escreveu Quando Tinha Cinco Anos Eu Me Matei, que foi recém publicado no Brasil pela Editora Rádio Londres.

O protagonista de sua história aparentemente sofre de Transtorno do Especto Autista. O autismo é uma condição neurológica em que o acometido tem dificuldades de interação social, apresentando padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. Em 2014 estimava-se mais de 2 milhões de pessoas com Autismo no Brasil.

No livro, conhecemos Burt, um garoto de oito anos, que está internado no Centro de Bem-Estar para Crianças, após um incidente com a amiga da escola Jessica Renton, em que foi culpado. Burt, que está sob tratamento do dr. Nevele, conta seu dia-a dia, intercalando com situações anteriores a sua internação. Ele é um garoto que sonha acordado, expert em soletração, mas com dificuldades sociais. O menino é fã de heróis como Zorro, Super Man, Popeye, e imagina situações das mais diversas em que incorpora o lugar deles misturando a realdiade com seus devaneios. Shurbs é praticamente seu único amigo, até ele conhecer Jessica, e ficar fissurado na menina. Burt é ingenuo, sente "coisas estranhas" quando está próximo dela, mas tudo na inocência da infância. Contudo fez algo de grave à menina e por isso foi levado para o Centro, acusado de ser um sociopata por seu médico. Nesse ínterim, acompanhamos os devaneios de Burt, pelas letras de Howard, enquanto tentamos descobrir o que afinal ele fez à menina. 

A edição da Rádio Londres é muito bem produzida, e com tradução de Alexandre Barbosa de Souza.
São pouco mais de 180 páginas, e apesar do inicio lento, a leitura vai se tornando interessante no decorrer da trama. Vemos como a imposição de uma moral adulta é imposta a uma criança, e ficamos nesse pingue-pongue entre relatos de criança em situações entendidas de outra forma quando olhadas sob a perspectiva adulta.
Após ler Quando Tinha Cinco Anos Eu Me Matei, senti mais vontade de entender o universo do autismo, foi uma leitura boa, apesar de que, em momentos, senti que faltou algo à narrativa de Buten para explicar melhor os fatos, principalmente a relação entre Burt e Jessica.

O autor Howard Buten
O autismo tem tratamento, e que deve ser inciado o quanto antes, pois auxiliar e muito no desenvolvimento da criança.  Recomendamos a leitura desse artigo sobre o Transtorno do Especto Autista: AQUI.

"Assim como qualquer ser humano, cada pessoa com autismo é única e todas podem aprender."

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