Uma imersão sensorial em O Circo Mecânico Tresaulti

Por Alexandre Melo, do Recife.
Ilustração de Wesley Rodrigues
A DarkSide Books já se consagrou como uma jovem editora que publica livros diferenciados, principalmente por sua sugestão de imersão na história pelo meio sensitivo, caprichando assim nas suas edições graficamente falando. Dessa maneira, fomos fisgados pelo livro da Genevieve Valentine, O Circo Mecânico Tresaulti que chama atenção logo antes de abrirmos suas páginas por sua beleza editorial.


O enredo é complexo, pois a autora cria um circo que anda em caravana pelo mundo, com a promessa de  - quase -  nunca visitar uma mesma cidade duas vezes. Os circenses contudo, são especiais, visto serem artistas “meio-humanos”, vítimas de batalhas em um mundo pós-apocalíptico, que agora possuem partes metálicas em seus corpos modificados pela chefe do circo, chamada Boss, e que por isso, conseguem feitos fantásticos. Em meio a tudo isso encontramos umas poucas pessoas que sobreviveram e são governadas pelo temível “homem do governo”.


Talvez você esteja saturado de distopias, mas o Circo Mecânico é diferente. Tem um texto maduro, escrito de maneira não-linear, filosófico, em um ambiente contrastante à beleza do espetáculo do circo com as cidades devastadas. Little George, o rapaz que cola os cartazes nas cidades em que o circo é montado, é quem nos conta a história, e por meio de suas lembranças, nos apresenta os outros integrantes da trupe, como a Bird, Elena, o Alec, e Stenos, e a forma com que ingressaram no circo. 

A autora do Circo Mecânico, 35 anos
Entre essas memórias destaca-se a morte de Alec, o homem-alado que usa lindas asas metálicas feitas de ossos humanos, e a iminente disputa entre Bird e Stenos, sobre quem as herdará em meio a tudo isso, existe um mistério sobre a personalidade sobrenatural de Boss, que manifesta um dom surpreendente, e o iminente perigo com a chegada dos homens do governo ao palhoção.


A edição é um espetáculo à parte. Com 320 páginas, e uma capa dura, psicodélica com alusões ao metal, que contém detalhes minuciosos que dizem respeito ao enredo da trama. Além de ser recheada com ilustrações de Wesley Rodrigues simplesmente fantásticas e possuir folhas de guarda absurdamente bonitas.


Ler o Circo Mecânico entretanto não é fácil, pois como falamos, ele não é linear, e até nos adaptarmos ao ritmo da autora, temos que ter forças para não abandonar o livro. Mas quando mergulhamos na história e nos situamos, torna-se uma experiência maravilhosa! Sim, é um livro que cativa aos poucos. Recomendo com certeza a leitura dessa obra linda!


"Mas é assim que as lembranças são - sempre verdadeiras, nunca a verdade" Genevieve  Valentine (O Circo Mecânico Tresaulti)


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