Apenas Um Ano, Gayle Forman

A continuação de Apenas um Dia, sucesso de Gayle Forman. Emocione-se mais uma vez com mais uma história de Allyson e Will.

Por Jaci Pandora, do Recife

Quando peguei Apenas Um Ano (Novo Conceito, 2015, 348 pgs) para ler, tinha uma ideia completamente errada sobre o livro, pensava ter em mãos um romance adolescente superficial para passar o tempo incapaz de deixar qualquer marca emocional. Não poderia estar mais enganada. Embora realmente Gayle Forman conte uma história na qual duas pessoas se apaixonam, o livro está mais para uma história de autodescoberta do que para romance.


Apenas Um Ano é a continuação de Apenas Um Dia, nele vamos descobrir o que houve com Willem depois dos fatos narrados no livro anterior. Para quem não leu, o livro anterior conta como a jovem Allyson, no final de uma viagem comemorativa patrocinada por seus pais, encontra com o jovem ator Willem e vive com ele uma aventura de um dia em Paris. Ao final desse dia um acidente acontece e os dois se desencontram. Allyson pensa ter sido abandona, esse sentimento de abandono e engano torna-se a gota d’água para a situação emocional dela e lança ela a principio em uma depressão e depois em uma busca por si mesma que culmina com o reencontro dela com Willem no final do volume.

Apenas Um Ano responde a pergunta: o que raios aconteceu com o Willem? Nele descobrimos que a experiência de um dia vivida em Paris foi tão impactante para Will quanto foi para Allyson. Depois do desencontro também ele teve sua cota de depressão, questionamentos, buscas e encontros consigo mesmo em uma caminhada acidentada responsável por construir uma jornada de auto-descobrimento e amadurecimento para o personagem.


Até o dia em Paris, Will utilizava as viagens pela Europa como válvula de escape e método de fuga do enfrentamento de seu recente luto pela morte de seu pai e da complicada relação com sua mãe. Uma hora aqui e outra acolá ele tinha sempre urgências maiores que a de tentar conciliar com seus sentimentos e crescer. Mas o encontro com Allyson mudou tudo, foi aquele baque responsável por colocar as urgências emocionais em evidencia e nos impedir de continuar a correr sem resolvê-las. Um dia pode não ser nada, mas também pode ser tudo.

Adorei a forma como Gayle conduziu essa história. Uma autora que não tende ao drama, capaz de construir diálogos despretensiosos capazes de caminhar em uma curva crescente de importância e capacidade de mexer com meus sentimentos a ponto de me fazer grifar uma pagina inteira. Me identifiquei muito com o desamparo dos protagonistas e acompanhar a caminhada deles rumo um ao outro, vencendo desafios materiais e emocionais me fez avaliar minha própria jornada.


Outro fator incrível na narrativa da autora foi a forma como ela dialogou com Shakespeare, em todo  livro as peças do Velho Bardo estiveram presentes conduzindo a história, fazendo magia, produzindo encontro, se tornando fonte de interesse para os  leitores. Adorei! Como leitora cativa de Shakespeare a escrita da Gayle Forman se tornou um objeto de deleite e admirável. Mais um daqueles livros para guardar com carinho na estante e no coração.

Recebemos essa cortesia em troca de uma opinião sincera, por nossa parceira editora:



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