O Ano Em Que Te Conheci, Cecelia Ahern

Um romance maduro e cativante e um dos melhores de 2016 até agora. Conheça o novo livro de Cecelia Ahern.

Por Jaci Pandora, do Recife.

O Ano Em Que Te Conheci (Novo Conceito, 2016, 336 pgs)  foi o quarto livro da Cecelia Ahern a chegou às minhas mãos e, apesar de não ser o meu favorito, talvez seja o mais maduro escrito por ela até aqui. Trata-se de um livro em primeira pessoa, como uma carta destinada a alguém em uma narrativa lenta, introspectiva, carregada de emoções e milimetricamente franca. A personagem realmente desnuda sua alma, expondo seus pontos fortes sem modéstia e seus pontos fracos sem mentiras.

Nele é nos dado a saber como Jasmine e Matt, dois moradores problemáticos de uma rua sem saída e habitada majoritariamente por idosos, em um dos piores anos de sua vida, se conhecem e conseguem, enquanto lidam com crises existenciais e fracassos consecutivos, solucionar os problemas angulares de suas vidas e se tornarem amigos.


Jasmine é uma workaholic eficiente em seu trabalho a ponto de ao demiti-la seu patrão utilizar uma cláusula do contrato para deixar ela de molho por um ano, recebendo seu salário e impossibilitada de procurar novos empregos. Matt é um radialista famoso bem ao estilo "Datena", com uma vida familiar conturbada ele excede os limites do sensacionalismo no trabalho e pega uma bela suspensão e para piorar ainda é abandonado pela esposa.

Matt é uma criatura dramática, ele vive sua miséria afetiva publicamente. Se embriaga, ouve música alta, tem brigas homéricas com sua esposa é publicamente abandonado por ela. A Jasmine é autoconsciente, tenta esconder sob a superfície da normalidade a sua ruína pessoal enquanto testemunha de camarote a do Matt, pois suas casas localizam-se frente a frente uma da outra e ele não tem nenhuma vergonha de se expor.


A aproximação dos dois não é imediata, ela se dá aos poucos. Em um determinado momento Matt se percebe observado e também passa a usar sua posição privilegiada para observar sua vizinha. No meio dessa vigília mutua, quase contra vontade, entre trocas de insultos, enquanto eles passam a se tornar cúmplices e apoiadores um do outro, eu também me sentir observadora e cúmplice deles.
Me identifiquei com a Jasmine e com o Matt, não estou no melhor momento da minha vida, e como eles reflito sobre meu estado e as escolhas responsáveis por me trazer até aqui. Não sou perfeita, tenho grandezas e mesquinharias, erro meus julgamentos e volto atrás sou como os dois tentando encontrar um caminho no meio dos descaminhos criados por mim mesma.


E além dos dois protagonistas ainda existe um grande time de coadjuvantes carismáticos composto pelos vizinhos, pelas suas famílias e por um homem inusitado que aparece no caminho de nossa mocinha. Confesso que os coadjuvantes muitas vezes roubaram a cena na história e nos causaram ondas imensas de ternura. Especialmente a Hearth, irmã da Jasmine, com sua maturidade para administrar sentimentos e objetivos de vida ela me emocionou imensamente.

E se isso tudo não fosse suficiente para colocar O Ano Em Que Te Conheci na minha lista dos melhores de 2016, a forma como Cecelia abordou a Síndrome de Down foi fascinante e instrutiva. Ano passado tive entre meus alunos um com a síndrome, e lendo o livro ele só fazia balançar a cabeça em concordância e admiração. Se eu já não amasse a autora depois de me encontrar em seu livro – A Lista – teria passado a amar agora.


Se você gosta de narrativas mais lentas e introspectivas, se está no clima para desacelerar e acompanhar a história de personagens muito distantes do ideal de perfeição e em uma busca por melhora pessoal esse livro com certeza é para você assim como foi para mim.

Recebemos esse livro de cortesia da nossa parceira, em troca de uma opinião sincera. Obrigado Editora:



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