O terceiro volume da série dos Bedwyns: Ligeiramente Escandalosos

Como de costume, a Arqueiro entregou um romance histórico muito bom em uma edição linda, que dá gosto de ostentar na estante. Conheçam Ligeiramente Escandalosos, de Mary Balogh.

Por Jaci Pandora, do Recife.

Depois da leitura do terceiro volume da série Os Bedwyns, o maravilhoso Ligeiramente Escandalosos(Arqueiro, 2015, 288 pgs), posso afirmar com convicção: amo a Mary Balogh! Seus romances geralmente tem um grau um pouco menor de sensualidade e daquele romantismo exacerbado típico do gênero romance histórico, mas seus personagens conscienciosos, responsáveis, cheios de senso de dever e honra compensam muito essas ausências.

Como disse na resenha de Ligeiramente Seduzidos, todos os grandes proprietários rurais da Inglaterra oitocentistas (lordes, duques, marqueses) retratados pela Balogh fazem da obra O Contrato Social de Jean Jacques Rousseau a sua Bíblia Sagrada. Todos compreendem perfeitamente o quanto ter um titulo nobiliárquico traz com os privilégios, a sua cota de responsabilidade e são rápidos no cumprimento dessas responsabilidades.


A impetuosa Freyja Bedwyn, não foge a regra, também ela tem um forte senso de responsabilidade, assim como Joshua Moore, o marques de Hallmare, mas ambos não fazem questão nenhuma de demonstrar isso ao mundo. Josh usa a capa de irreverencia, esbanja charme e tem aquele ar de conquistador irresistível, já Frey usa a mascara da arrogância empinando o nariz avantajado dos Bedwyns como se fosse com convite para que o mundo experimente afronta-la para vê o que lhe acontece.

Com dois protagonistas que enfrentam a vida de uma forma antagônica, Ligeiramente Seduzidos acabou sendo um dos livros mais divertidos dos últimos tempos. É aquele tipo de livro no qual os personagens constroem sua relação entre enganos, discussões e beijos quase involuntários enquanto acabam deixando mascaras e capas caírem e vão se gostando meio sem querer gostar.


Freyja começa essa história portando um coração partido, o orgulho ferido, com medo de se envolver novamente e correr o risco de sofrer outra vez. Joshua meio desnorteado, ciente de suas responsabilidades como marquês, mas reticente quanto a assumi-las.
Os dois precisam da uma guinada em suas vidas, os dois são extremamente cativantes. Aliás, talvez esse seja até agora o livro mais cativante da série. É fácil amar Josh com seus sorrisos, humor e generosidade é um personagem enternecedor. É fácil se inspirar na Freyja, ela não é bela, delicada ou do lar, enfrenta a vida com seu temperamento forte, sua teimosia e resiliência, ela é inspiradora.

Também tivemos a oportunidade ver todos os Bedwyns dos romances anteriores da série. Aidan e Evie e seus filhos, Rannulf e Judith em seu inicio de casamento e os outros irmãos. Novamente o irmão mais velho, Wulf, o duque de Bewcastle fez uma participação significativa e determinante para o final feliz do casal se tornando cada vez mais um personagem cuja história é mais que aguardada.


Outra coisa a merecer nota é a forma como a Mary abordou de forma magistral a questão da deficiência intelectual e deficiência física. Não posso entrar em detalhes por questões de spoiler, mas achei muito honesta a forma como entre os coadjuvantes importantes dessa história ela deu visibilidade de uma forma muito correta a pessoas com necessidades especiais, fugindo de estereótipos comuns. A abordagem realista dela me emocionou, surpreendeu e terminou de cativar o meu coração.

Recebemos esse exemplar de cortesia em troca de uma opinião sincera da :

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