Dostoiévski e o Crime e Castigo

Sombrio e denso, a obra prima do russo Fiódor Dostoiévski continua a impressionar por sua profundidade. Vamos falar sobre Raskólnikov seu Crime e Castigo.

Por Alexandre Melo, do Recife

A maioria das pessoas vidradas em livros já leram ou ao menos ouviram falar de Fiódor Dostoiévski, talvez o mais célebre literato Russo. Dostoiévski é autor de livros consagrados, tal como Noites Brancas, Os Irmãos Karamazóv, Memórias do Subsolo, entre outras. Escreveu em diversas fases da sua vida, mas houve uma em especial bastante difícil para o autor, que foi o momento de sua prisão em Omsk, em 1850, por suas ideologias "subversivas" socialistas. Foi dessa experiência que nasceu a inspiração para Crime e Castigo, sua obra prima.


O tom leve da narrativa de Noites Brancas não existe em Crime e Castigo. Temos aqui um calhamaço de uma história pesada e aflita, em que acompanhamos o jovem Rodion Raskólnikov, um moço pobre, e estudante de Direito, que mora em S. Petersburgo em miséria, sobrevivendo de alguns bicos que faz como tradutor ou dando aulas particulares, e de uma ajuda que a mãe viúva - igualmente pobre -  lhe envia quando consegue. Rodion tem uma personalidade muito transtornada, percebemos picos de emoções diferentes em seu caráter, ora altruísta, ora orgulhoso. Sua miserabilidade contudo, o aflige muito. Em busca de melhorias, passa a penhorar objetos de sua estima a uma velha usurária avarenta Aliona Ivanôvna, mas ao receber a notícia que sua irmã Dúnia, iria se casar com um homem vil, mas com boas condições financeiras, apenas para ajudar a família, Raskolnikóv decide, em um lapso roubar a velha, e termina matando-a a machadadas. Apesar de tudo, consegue sair do apartamento de Aliona sem ser pego.


A partir daí acompanhamos o castigo do jovem estudante. Ródia, como também é chamado o protagonista, psicologicamente abalado, ele passa a delirar, a ficar recluso, desconfiar de todos a sua volta, e adoece várias vezes. Esconde o fato de todos da família e inclusive de seu melhor amigo Razumíkhin. Em um determinado momento da trama, o protagonista conhece um bebado chamado Marmeládov e sua filha Sônia - moça de bom coração, que se prostitui para ajudar a família pobre - e que terão papel importante na história.

A leitura de Crime e Castigo, como mencionado, é sombria, e ao mesmo tempo que é densa, é taciturna. Carece de dedicação, de uma leitura compassada, por conta de suas diversas nuances psicológicas, mas, sem sombra de dúvidas, é uma obra obrigatória para todo aquele que diz amar a literatura, tanto por sua importância, quanto por seu sabor. Há momentos de picos na narrativa, tal como o caráter de Raskólnikov, que em devaneios tenta justificar a si mesmo pelos seus atos com alguns monólogos tensos, onde podemos perceber o quanto Dostoiévski trasbordou de sua experiência de vida nas páginas de sua magnum opus



A Martin Claret  enviou-nos uma edição magnifica em capa dura, com arte de capa de Julio Carvalho e um ótimo prefácio e nova tradução direta do russo, por Oleg Almeida, que em nada deixou a desejar. Fica aqui o nosso agradecimento a editora pela cortesia.


Além do requinte na elaboração da apa, a edição tem as páginas são em papel amarelado, com bom espaçamento de letras e boa prensa. para quem desejar ler em transito, sugiro a edição de bolso da mesma editora, já que o livro gordinho.


Recebemos essa cortesia em troca de uma opinião sincera, da nossa parceia, Editora:

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