O Morro dos Ventos Uivantes: um clássico indispensável!

O clássico da irmã Brontë mais famosa: O Morro dos Ventos Uivantes traz uma mistura de emoções a cada página

Por Alexandre Melo, do Recife. 

O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico consagrado da literatura universal, foi também o único romance escrito pela inglesa Emily Brontë, que usou o pseudônimo masculino Ellis Bell, quando assinou a obra em 1847, exatamente um ano antes de sua morte. Na época em que foi criado, o livro foi considerado mediano pelos editores, e não recebeu o valor merecedor, hoje ele figura entre um dos mais conhecidas obras da literatura inglesa, inclusive com diversas adaptações para o cinema. 
Confesso que no inicio da leitura, quase abandonei o livro, mas que bom que não fiz isso! O começo da trama foi lenta, mas, depois que mergulhei na história, percebi que era um livro interessantíssimo, e que merecia ser lido. 
Emily Brontë narra a história de duas famílias: Os Earnshaw e os Linton, por meio de dois narradores: a governanta Ellen Dean (ou Nelly) e do inquilino da Granja Trushcross, Mr. Lookwood.

A história começa quando Mr. Lookwood aluga uma granja na região de Gimmerton, Yorkshire, na Inglaterra, e decide ir visitar a residencia do proprietário, Mr. Heathcliff que reside em um casarão chamado Morro dos Ventos Uivantes. Lá, Lookwood constata a aspereza de seus moradores, e vamos aos poucos conhecendo o histórico da excentrica familia, e de cada um dos viventes do casarão: o velho criado religioso Joseph, o rude Hareton, a linda e antipática nora do proprietário, Mrs. Heathcliff, e o próprio Heathcliff. Após a visita desagradável, Mr. Lookwood desperta uma curiosidade inquietante acerca de seus estranhos vizinhos, e conta com o testemunho de Nelly, antiga governanta da casa, que lhe narrará todo o mistério que envolve o sombrio locatário.



Ele, um homem sombrio, frio, sádico, maléfico, chegou a casa ainda criança, quando o antigo proprietário, Mr. Earnshaw o achou perdido nas ruas de Londres, em uma de suas viagens, e acabou trazendo o menino para sua casa, a fim de o criar. O pequeno Heathcliff então juntou-se aos filhos do Earnshaw: Hindley Earnshaw (que passa a odiar o novo morador, por ciume dos bons tratos que o pai lhe oferece) e Catherine Earnshaw (que se torna melhor amiga de Heathcliff, defendendo-o, e por quem Heathcliff se apaixonará perdidamente) 
A Granja Trushcross, (em que o Mr. Lookwood está hospedado atualmente) na época era de propriedade da família Linton, que tinha como filhos Edgar Linton e Isabella Linton, filhos burgueses, que terminam por conhecer os moradores do Morro dos Ventos Uivantes.
A partir daí, acompanhamos o crescimento dos jovens, e o desenvolvimento do caráter de cada um deles, e de como o amor impossível de Heathcliff por Catherine e sua eminente sede de vingança acaba por destruir tudo e todos que o cercam.



Uma característica interessante do livro é que todos os personagens são repugnantes. Sim, é difícil simpatizar com algum deles. São pessoas difíceis, carregadas de preconceitos, que geralmente provocam asco no leitor por suas atitudes medíocres. Mas não precisamos ser amigos dos personagens de Emily Brontë para gostar de sua história, e posso dizer que O Morro dos Ventos Uivantes é um livro fantástico.

Tenho em minhas mãos duas edições: uma em livro físico, com tradução clássica da Raquel de Queiroz, da coleção Abril, e uma no Kindle, da Editora Landmark, com nova tradução de Doris Goettems, (muito boa em minha opinião) que foi a que li, por questão de comodidade e facilidade de ler em transito.  São elas que ilustram esse texto. 




Destaque para a edição da Abril, que além da capa em estilo clássico, e forrada em tecido, conta com um caderno Vida e Obra, no final do do volume, onde temos um pouco da história das irmãs Brontë, e dos personagens do livro, ilustrado com imagens clássicas de Fritz Eichenberg. Um espetáculo!




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