Uma história sobre a Vida: Stoner de John Williams

Por Alexandre Melo, de Recife.

Protelei um pouco em ler Stoner (2015 Rádio Londres Editores, 314 pgs)  já havia me informado a respeito do livro, mas evitei saber muito sobre a história em si. Contudo, os sentimentos que a obra despertou em seus leitores me deixaram deveras curioso. Já sabia que se tratava de uma narrativa da vida de um homem comum, mas não esperava que iria arrebatar-me, me levar a viver a saga de Stoner, a pensar em seus problemas como se fossem meus, e a refletir nas coisas que eu poderia ter feito diferente, tal como aconteceu aos meus colegas leitores e leitoras. Me surpreendi.



John Williams escreveu o livro na década de 1950, mas só agora a Rádio Londres Editores publicou a obra em português brasileiro, com tradução de Marcus Maffei (e uma belíssima 2ª edição em capa dura)  A caneta do autor escreveu a vida de William Stoner, sua infância no interior dos EUA, em Booneville, como agricultor junto ao pai, até seu ingresso na Universidade de Missouri, onde se formou, e tornou-se doutor e professor da universidade. Acompanhamos a trama que vai de 1891 até 1956, ano da morte do protagonista, perpassando duas guerras. Williams já deixa claro isso logo no primeiro parágrafo do livro, e entendi que o nosso deleite seria saber como isso aconteceu, e o que se passou durante a vida de Stoner.


Outros personagens interessantes nos ajudam a compreender a saga do professor na trama: seus pais; seus dois amigos Dave e Gordon; além de Edith, sua esposa e Grace, sua filha; temos também o professor Lomax, nêmesis da história, e seu orientando Walker; e finalmente  Katherine, sua aluna mais estimada. Encontramos aqui um cenário um tanto quanto bucólico, interiorano do incio do século XX mesclado a agitação e rigor da vida acadêmica. 
Stoner é um homem tranquilo, pacato (em momentos sua passividade me estressou, principalmente em relação à sua esposa Edith) homem conformado com sua posição social, sua vida, sua profissão, seu casamento, e que no final das contas só queria dar aulas, viver seus livros. Seu amor pela literatura extrapola as páginas, e os capítulos finais são bastante comoventes. 

Stoner e seus personagens, mesmo em uma narrativa simples, te  farão sentir compaixão, amor, raiva, angustia, alegria, decepção, que no final se resumirá em duas coisas: na brevidade da vida, e de que devemos pensar bem em nossas escolhas.
Existem histórias que impressionam por sua complexidade. Stoner não é uma delas. Existem histórias que surpreendem por suas reviravoltas. Stoner não é uma delas. Mas existem histórias que, em sua simplicidade, cativam o coração o leitor e te fazem refletir por um longo tempo. Stoner É uma delas. Uma história sobre a vida. Recomendo.
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