Dez coisas que aprendi sobre o amor, de Sarah Butler



Desejei “Dez coisas que aprendi sobre o amor”, da Sarah Butler, desde o primeiro olhar. A capa e o titulo me chamaram atenção de cara, algo me disse que esse livro era o meu número. De muitas formas não errei, afinal um pé cansado reconhece um sapato adequado de longe, mas confesso que também não foi uma leitura 5/5.

O livro se passa em Londres, aliás a velha cidade emerge do livro mais do que um cenário, ela é um personagem. Enquanto conta como se cruza a história de Daniel, um sem teto; e Alice, a filha mais nova e enlutada de um médico, Butler explora os lugares e cidadãos londrinos com pericia e afeto tão grandes que fiquei desejando que alguém escrevesse um livro assim sobre Recife.

O livro foi todo escrito em primeira pessoa, oscilando a narrativa entre Alice e Daniel, assim conhecemos o lado dele e dela da história. Ele também pode ser dividido em duas partes, embora a autora não tenha feito isso de fato.


Na primeira parte, conhecemos retalhos da história pessoal de Daniel e Alice, aparentemente eles não possuem relação alguma, a não ser o fato de gostarem de fazer lista de “10 coisas que...” e de ambos gostarem de vagar sem rumo. Daniel, na qualidade de sem teto, vaga por Londres, Alice, na qualidade de filha de um homem bem sucedido, vaga pelo mundo. Na segunda parte descobrimos quais vínculos unem os dois e para onde esses vínculos os levarão.

A narrativa é lenta, introspectiva e emotiva, não é em absoluto um romance no qual almas gêmeas se encontram, não é uma história que te leva para um mundo de fantasia. Butler ancora sua história nas sensações, medos e sentimentos conflitantes dos personagens. Ambos reais, um pouco mal sucedidas em vários aspectos carregando pesos, sonhos, desejos, frustrações e impossibilidades.



Acredito que existem livros feitos para nos fazer sonhar, desconectar com a realidade humana, e outros feitos com o intuito contrario, ou seja, de nos ancorar na realidade, nos fazer olhar em volta e desenvolver empatia com pessoas com as quais jamais vimos, mas que sabemos que estão por ai vivendo suas histórias.


“Dez coisas que aprendi sobre o amor" é do segundo tipo e ele só não é 5/5 porquê apesar da escrita da Sarah ser limpa e correta, quando pensei que ela ia me embalar ela passou a se arrastar.  A parte disso, foi uma boa leitura 3,5/5, indico para quem gosta de vez ou outra fugir do romance, do idílico e mergulhar em outras histórias.
Jaci Pandora

Este livro foi cedido ao Do Que Eu Leio, pela nossa parceira, editora:






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