O melhor humor de Loretta Chase em O Último dos Canalhas


Nossa querida colaboradora Jaci Pandora apesenta para nosso deleite, suas impressões sobre o livro O Último dos Canalhas, publicado pela Editora Arqueiro. Um belo romance de época, recheado com bom humor, assinado pela incrível Loretta Chase. Acompanhe mais uma ótima resenha no Do Que Eu Leio. Abraços!
Loretta Chese é uma autora incrível. Cada vez mais considero ler seus livros e adentrar em seu universo de mulheres cheias de personalidade e anti-heróis um tipo de experiência única em termos de leitura.
Cada vez que abro seus livros sou completamente absorvida por seu universo e independente do momento, situação ou estado de espírito soturno e cansado no qual esteja me pego sorrindo e as vezes chorando também. E se “O Príncipe dos Canalhas” foi uma experiência maravilhosa, “O Último dos Canalhas”, publicado pela Editora Arqueiro, não ficou atrás. Amei Vere Mallory tanto quanto amei Lorde Belzebu. Sinceramente sou muito capaz de ler qualquer coisa escrita pela Loretta.

Saindo da bajulação descarada para o livro em questão, em “O último dos canalhas” vamos conhecer um pouco melhor o amigo sem noção do Lorde Belzebu, aquele que confundiu a Jessica com uma prostituta em “O Príncipe dos Canalhas”, e a conhecer a Lydia.



Vere Mallory é um cara barulhento, tumultuado, cheio de traumas que gasta sua vida em orgias, dissolução e aventuras vergonhosas dignas de virar piada em todos os jornais da Inglaterra. Lydia é jornalista com tendências feministas, uma mulher de muita fibra e personalidade, soldado incansável na luta por justiça social para mulheres e crianças, denunciadora dos males da sociedade e autora de romance de folhetim.

Do primeiro encontro ao desfecho do livro Vere e Lydia formam um casal explosivo. Eles foram capazes de me levar do riso ao pranto, da emoção ao riso histérico no meio da madrugada. Gente como dois são impressionantemente queridos, como a Loretta sabe fazer seu trabalho com maestria. Como já disse ou dei a entender, estou apaixonada!
Acompanhar a história desses dois foi uma experiência única, cheia de reviravoltas emocionantes. O livro me prendeu do inicio ao fim, me tirou da realidade e me levou para a Londres do século XIX retratada pelo olhar da autora.

Aliás, a Londres de Loretta se destacou muito aos meus olhos, pois, entre as autoras de romances históricos, ela foi a que até o momento mais se preocupou em mostrar o lado B do século XIX. As mulheres desamparadas, os abusos da nobreza, as crianças jogadas na rua, a exploração sexual de camponesas ciosas por uma oportunidade da capital do Império.


Adorei como Chase não ignora essa realidade cruel em seus livros, não foi por acaso que ideias como o Socialismo foram consolidados nessa época, autores como Marx e Engels denunciaram a situação da classe trabalhadora de Londres com muita eficiência.
Também não teve como delirar quando ela dialogou lindamente com os textos clássicos de Shakespeare! Gente, vê Lydia e Vere recitando o velho bardo, ela vestida de cigana e ele dando uma de bêbado foi IMPAGÁVEL! Eu ria e ria... transformar tragédias em comédia é uma arte!



Também apreciei muito a forma como ela fala da arte de escrever romances. Durante o século XIX os romances açucarados que nós costumamos ler hoje eram publicados em jornais, no final do jornal para ser mais exata, capitulo a capitulo e eram chamados de folhetins. Eles não se pautavam na realidade, eram lidos em publico em salas de costura e quando faziam sucesso eram encadernados.

Como acontece com nossos romances, pessoas ditas “cultas” torciam o nariz para os folhetins e suas leitoras. Muitos subestimavam o bom senso das leitoras achando que elas não sabiam onde termina a realidade e começa o sonho. Chase discute isso em alguns momentos de seu livro e sem ser didática faz uma defesa linda do trabalho de escritoras como ela, Lisa Klaypas, Julia Quinn e etc.
Realidade e sonho podem conviver muito bem e a Lydia é um personagem que representa essa ideia. Ela é uma heroína de romance com uma história mirabolante e ao mesmo tempo uma jornalista. Aliás, o jornal no qual a jornalista escreve e seu conteúdo é praticamente mais um personagem do livro. Então eu não resisti a tentação e fiz uma fotos de um dos meus livros sobre a imprensa no século XIX para aqueles que não tem acesso a esse tipo de documentação possam ter uma ideia de como era aproximadamente o jornal no qual Lydia escrevia. Eis as fotos:




Bem pessoal, sei que esse texto ficou enorme. Eu me entusiasmei pois gostei muito do livro. Cheros a todos e todas e até a próxima!
Ah, se vocês se desejarem me encontrar, deem uma passada lá no meu blog Uma Pandora e sua Caixa ou no O Que Tem na Nossa Estante vai ser um prazer receber vocês por lá também.

Jaci Pandora

Realidade e sonho podem conviver!


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Este livro foi gentilmente cedido por nossa parceira Editora:






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