O sensacional primeiro tomo de Os Miseráveis (#projetovictorhugo2015)

Demorei para postar, em respeito aos amigos e amigas que aceitaram o desafio de ler Os Miseráveis junto com a gente, mas no dia 08/06/2015 após quase dois meses, em uma ritmo beeem lento e sossegado, (apesar da correria do trabalho e outras leituras)  consegui terminar o primeiro tomo de Os Miseráveis, do Victor Hugo (não o primeiro volume, mas o primeiro tomo) A leitura desse livro, como alguns de vocês devem saber, faz parte de um projeto que nosso blog junto com o blog da Jaci Pandora, propusemos, #ProjetoVictorHugo2015, Pois bem, decidi dividir minhas impressões em  partes, pois corro o risco de esquecer detalhes importantes. O tomo 1 tem 438 páginas na edição de bolso luxo da Cosac Naify, o livro é composto de 5 tomos, que a Cosac dividiu em dois volumes. (Restam-me agora pouco mais de mil páginas para terminar... :O) 

A história se passa (ao menos até o fim desse tomo) inteiramente na França do século XIX, especificamente durante o período da Batalha de Waterloo, e nesse bloco, que Hugo denominou FANTINE, conhecemos longa e detalhadamente a vida de Charles Myriel, o Dom Bienvenu, um clérigo já idoso e extremamente bondoso, que torna-se bispo de Digne, um homem que fazia tudo em prol dos pobres e necessitados, e que não media esforços para ajudar qualquer pessoa que precisasse; também conhecemos Jean Valjean, um forçado grilheta, que por um crime ínfimo é condenado a muitos anos de trabalho duro nas galés, um homem bom que tornara-se mal por conta da "justiça do Estado"; Jarvet, um inspetor de polícia frio, extremamente metódico e cego pela profissão, e que não se comove pela dor ou sofrimento de ninguém, transbordando em seu ser que  que o que lhe interessa é unicamente que se cumpra a lei; e por fim, Fantine, que dá título ao primeiro tomo, uma linda moça do povo, ingênua, mas envolvida em um caso com um cretino parisiense chamado Tholomyès (personagem estúpido) Fantine é graciosa, mas muito humilde e sem familia, tal como Hugo lhe descreve:
Fantine era uma dessas criaturas que desabrocham, por assim dizer, do fundo do povo. Saída das mais espessas e insondáveis sombras da sociedade, tinha na fronte o símbolo do anonimato e do desconhecimento. Nascera em Montreuil-sur-Mer. Filha de quem? Quem o poderia dizer? Ninguém lhe conheceu o pai nem a mãe. Chamava-se Fantine. Por que Fantine? Era o único nome que tinha. 
Jean Valjean, por  Émile Bayard
O que Victor Hugo nos preparou com essa história? Ou melhor, essas histórias. Ao ler a obra entendi que tratam-se de pequenas (mas detalhadas) tramas separadas, que ligam-se em determinado momento, que vão e voltam, que seguem numa esmiuçada narrativa de acontecimentos, e tempos, mas que com toda a maestria da pena de Hugo, voltam ao ponto central da história, sem deixar que a gente se perca no caminho. Ao seguirmos os passos de cada um dos personagens nas mais diversas situações, Victor Hugo denuncia toda a miserabilidade existente em seu país, arraigada em leis injustas, na falta de fraternidade, nos preconceitos, e principalmente na discrepância econômica/social existente desde aquela época no seio da sociedade. Claro que esses não são os únicos personagens, que conhecemos no tomo 1, pois em vários pontos encontramos outros, que igualmente aos protagonistas, nos fazem refletir sobre os extremos a que podem chegar os seres humanos, tanto para o lado  bom quanto para o mal.

Fantine e Jarvet, por Émile Bayard
Sabe aquelas histórias que te fazem pensar o mundo de uma forma diferente? Essa é uma delas. percebemos como somos mesquinhos, ou como podemos ser fúteis, como podemos desprezar o sofrimento do próximo,  ou ainda como pode ser tão fácil julgar alguém injustamente. É com essa minúcia que conhecemos a vida de cada personagem e o destino que eles seguem nos dá outra dimensão sobre suas atitudes. Podemos achar a primeiro momento justa a prisão de um ladrão pelo simples fato dele ter cometido um furto, mas o que o levou a cometer o seu crime? O que aconteceu para que ele chegasse a efetuar o ato falho? Ao percorremos os anos, os variados momentos da vida dos protagonistas, nosso prejulgamento cai por terra.  Você sabia que um ato de bondade pode mudar uma vida? Ops, vou para por aqui para não dar spoilers.

Estou empolgado com o que li até agora, e sigo a leitura agora com o segundo tomo denominado COSETTE, que inicia com uma looooonga e detalhada descrição da Batalha de Waterloo.... assim que terminar deixo igualmente minhas impressões 
Cosette é também o nome de uma personagem importante, nós conhecemos nesse primeiro tomo em uma das passagens mais dramáticas da história até o momento... mas não vou falar sobre a menina agora.

Ao buscar algumas imagens para ilustrar esse post, descobri as ilustrações do Émile Bayard, que fez belíssimas artes para a primeira edição de Les Miserables, em 1862. Uma pena que a bela edição de bolso da Cosac não possua essas ilustrações em suas páginas... #ficadica!

Aqui deixo os links para os posts de blogs queridos que também entraram na onda dos Miseráveis:

Uma Pandora e sua Caixa
Cheirando Livros
Borogodó Literário



E se você desejar participar, sempre há tempo! Aqui do lado tem o selo do nosso projeto, ajude a divulgar e vamos nos deliciar com a leitura desse clássico universal da literatura!





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