Um livro #extraordinário

“Aliás, meu nome é August. Não vou descrever minha aparência. Não importa o que você esteja pensando, porque provavelmente é pior.”
Extraordinário





Extraordinário, da autora R. J Palacio foi realmente um livro que me surpreendeu. Lamentei por muitas vezes ter negligenciado a sua existência quando o vi pela primeira vez em uma livraria. O livro é fantástico!

Não esperem uma narrativa difícil. Na realidade, o nível de complexidade é quase infanto-juvenil, contudo, é extremamente bela e parece carregar-nos nos braços ao mundo de August, uma criança que nasceu com uma anomalia genética em seu rosto, deixando-o deformado. A trama é focada na figura do menino, sua relação com os pais super-protetores, sua irmã adolescente Olivia  e seus amigos da escola.

Palacio faz reflexões sobre bullying, aceitação e preconceito na obra, que é narrada pelo próprio August, mas vai sendo atravessada por outros personagens durante o enredo, na medida de seu desenrolar - isso cativou-me demais, pois me fez observar pontos de vista distintos sobre um mesmo fato, por vezes, reveladores. Os personagens que cercam Auggie, como é chamado, tornam-se mais interessantes, quando assumem a narrativa e expressam seu ponto de vista sobre o menino.
August mostra ser um menino comum, gosta de coisas que qualquer menino da sua idade gostaria. Ele sente-se normal. Ele é normal, mas as pessoas não o enxergam desta maneira. O foco central da história é a sua primeira experiência em uma escola comum. Devorei o livro em alguns dias e confesso, mesmo com pouco tempo disponível para a leitura, eu ficava ansioso para ler mais um pouco.

A obra, editada no Brasil pela editora Intrínseca, está disponível tanto em formato tradicional quanto em e-book. Recentemente foi relançada com uma capa bastante bonita (na realidade, existem duas versões para ela: a azul e a branca). Aproveito para
 dar méritos a quem fez por merecer: Os e-books da Intrínseca estão muito bem formatados. Parabéns!
"Extraordinário" é um livro que merece estar na sua estante, ou e-reader como preferir. Não espere erudição ou uma história mais “madura”. O livro de Palacio é bobinho, mas repleto de lições de vida, inclusive para nós adultos, acostumados com esta “sociedade das aparências”.
A primeira obra literária de R. J. Palacio alfineta os preconceitos e mostra o verdadeiro sentido de aceitação e igualdade entre as pessoas. Confesso que seu final me comoveu mais do que o tão falado A Culpa é das Estrelas, de Green!



“Acho que todas as pessoas do mundo tinham que ser aplaudidas de pé, pelo menos uma vez na vida”  - Extraordinário.

R. J. Palacio merece aplauso.


Publicado originalmente em O Que Tem na Nossa Estante em 7 de abril de 2014
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